ano novo…

bateria no carro nova.

(depois de ficar apeado ironicamente numa bomba de gasolina, não sem gasóleo mas sim sem bateria logo no primeiro dia do ano)

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tenho alguma dificuldade em perceber isto da passagem de ano…

mas admito que seja uma embirrância minha.

já tentei festejar.

já tentei comer o raio das passas (continuo a achar que comer 12 corintias da triunfo seria uma tradição bem mais interessante).

já errei (mais do que uma vez).

já trabalhei.

já mergulhei no mar gelado de santa cruz.

já descobri sorrisos em budapeste.

já brindei ao som de tiros em luanda (dizem eles que é normal) e 1h depois passei novamente o ano em skype.

a verdade é que continuo sem conseguir perceber a necessidade de celebrar o novo ano, mas lido bem com o juntar a família e os amigos e isso já me basta para sorrir.

(x) tonalidades

Alice Phoebe Lou – Walk on the wild side (Lou Reed cover)

as dores no corpo nem todas são da gripe.

a verdade é que ao olhar o vazio por vezes vejo o reflexo do meu rosto, barba de 4 dias a revelar que mais um ano e toda ela estará branca.

há dias em que parte de mim pede, suplica para ficar ali imóvel. no vazio como que uma tentação por uma qualquer necessidade de sentir.

deixo isso para os instantes.

deixo isso para os pequenos olhares no vazio.

breves segundos para auto controlo de um complexo mar de sonhos e sentimentos que habita na minha mente, mas felizmente para tudo existe acalmia.

o sorriso regressa mas a dor de garganta resistirá por mais uns dias até a gripe passar.

(há tanta coisa pela qual eu gosto do natal,

que tenho a certeza que isso se deve à minha família)

é tão fácil criticar o natal hoje em dia, o consumismo desenfreado, as luzes de natal na varanda, o pai natal a escalar as fachadas dos edifícios… aqui mesmo na minha rua uma rotunda com enfeites de natal que em vez de estrelas mais parecem a coroa da estátua da liberdade… e ainda há as mãe natal, e as renas, e o pai natal, e a coca cola…

de facto somos bombardeados por todo o lado com apelos à compra, tentados por overdoses de chocolate e só por sorte os mais gulosos não entopem as coronárias com tanto frito de natal!

tudo isto ao som da música de elevador que parece estar por todo o lado, em cada esquina, em cada hall, em cada loja, em cada casa de banho (!)…

porém se esquecer-mos tudo isso, se ignorarmos o acessório, basta um pequeno olhar no vazio e depressa se percebe que a mais pura e singela verdade sobre o natal é que no fim tudo se resume a uma simples frase:

o natal é esperança!

esperança que a vida vai melhorar,
que o inverno vai passar,
que o mundo vai sorrir,
e que o amor não vai acabar!