(vi) tonalidades

Beirut – Une Soirée de Poche para a  La Blogothèque

A Sunday smile, we wore it for a while
A Sunday mile we paused and sang

estranhamente os franceses conseguem cantar bem melhor do que falar em inglês…

o video começa propositadamente com um sorriso de domingo (mas toda a sessão vale a pena ser ouvida!).

um sorriso de domingo porque é dia da mãe.

um sorriso de domingo porque está sol e o corre uma brisa fresca pela minha face vinda das janelas abertas.

um sorriso de domingo porque sim!

porque o sorriso é sincero e é a base do amor.

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de quando em vez não consigo dormir bem depois de trabalhar de noite

se nas primeiras horas caio sempre redondo no leito, por vezes acontece acordar ao final de umas 3 ou 4 horas e é aí que me vêm à mente as tormentas. de quando em vez recordo os rostos, as falas em dialectos misturados entre português mal-amanhado e kimbundu, kikongo e umbundu. recordo a terra vermelha e o pó no ar. o mar de chapas de zinco e o fedor das ruas. revejo diante dos meus olhos a prepotência dos que pensam que são alguém por usar acessórios de luxo, quando na verdade são apenas mais alguns desgraçados que desgraçam o seu povo e no fim acabam da mesma maneira, deitados num leito de morte (que lhes chega cedo de mais porque o pais onde vivem é miserável), e onde ninguém os sabe cuidar.

atormenta-me a face dos que deixei partir, mas penso sempre com angústia nos que ajudei a cuidar. porque vi felicidade e agradecimento nas caras de seus familiares, mas no fundo receio que muitos possam já não estar vivos. porque o país rico não é capaz de cuidar dos seus. porque o povo não tem formação e no momento em que saem do hospital para fora deixam de tomar medicação… porque não sabem ou não compreendem, porque não têm como ou porque não há onde a comprar…

foi há um ano que deixei de ir aquele lugar maldito.

foi preciso lavar a loiça umas quantas vezes…

não querendo de todo realizar publicidade digo que cá em casa usa-se fairy para lavar a loiça (e aquilo é mesmo bom a tirar gordura).

normalmente sou eu que lavo a loiça que se escapa da máquina e recentemente finalmente acabei com uma garrafa de detergente que já por cá andava há mais de um ano… isto tudo para dizer que acabou o amarelo e agora uso o verde (calhou certamente ser o que estava em promoção)!

bem mas indo ao que interessa. já há uns dias que de cada vez que lavava a loiça ficava com a sensação de que aquele cheiro do detergente me fazia lembrar alguma coisa… não sabia o que era, sentia ser algo bom mas a memória estava demasiado ofuscada.

hoje por fim fez-se luz!

é o cheiro das bolas de sabão da minha infância. é o cheiro das tardes na varanda a produzir fileiras infindáveis de bolinhas a flutuar pela rua fora!

e sorri por lembrar-me que ficava sempre com os lábios cheios de cieiro…