tenho alguma dificuldade em perceber isto da passagem de ano…

mas admito que seja uma embirrância minha.

já tentei festejar.

já tentei comer o raio das passas (continuo a achar que comer 12 corintias da triunfo seria uma tradição bem mais interessante).

já errei (mais do que uma vez).

já trabalhei.

já mergulhei no mar gelado de santa cruz.

já descobri sorrisos em budapeste.

já brindei ao som de tiros em luanda (dizem eles que é normal) e 1h depois passei novamente o ano em skype.

a verdade é que continuo sem conseguir perceber a necessidade de celebrar o novo ano, mas lido bem com o juntar a família e os amigos e isso já me basta para sorrir.

Anúncios

(há tanta coisa pela qual eu gosto do natal,

que tenho a certeza que isso se deve à minha família)

é tão fácil criticar o natal hoje em dia, o consumismo desenfreado, as luzes de natal na varanda, o pai natal a escalar as fachadas dos edifícios… aqui mesmo na minha rua uma rotunda com enfeites de natal que em vez de estrelas mais parecem a coroa da estátua da liberdade… e ainda há as mãe natal, e as renas, e o pai natal, e a coca cola…

de facto somos bombardeados por todo o lado com apelos à compra, tentados por overdoses de chocolate e só por sorte os mais gulosos não entopem as coronárias com tanto frito de natal!

tudo isto ao som da música de elevador que parece estar por todo o lado, em cada esquina, em cada hall, em cada loja, em cada casa de banho (!)…

porém se esquecer-mos tudo isso, se ignorarmos o acessório, basta um pequeno olhar no vazio e depressa se percebe que a mais pura e singela verdade sobre o natal é que no fim tudo se resume a uma simples frase:

o natal é esperança!

esperança que a vida vai melhorar,
que o inverno vai passar,
que o mundo vai sorrir,
e que o amor não vai acabar!

em dias cinzentos

recordo os que não estão.

revejo caras, expressões, sensações, sorrisos e lágrimas.

sinto dores, sinto alegrias.

há uma despedida que nunca foi feita, há um sorriso que faltou dar e uma promessa por cumprir.

a vida segue e o que fica lá atrás condiciona tudo. seguir em frente é sempre o caminho e até o aprendemos a fazer, mas em dias cinzentos podemos nos permitir a por breves instantes recordar que essas feridas estão lá, mais que não seja para perceber os caminhos que seguimos.

vou continuar.

quando não há tempo

precisamos de apelar ao físico quântico que há em cada um de nós para saber como melhor manipular as equações do nosso espaço-tempo.
precisamos de ser ginastas nos jogos olímpicos do “esticar ao máximo”, do “dê lá por onde der”, tantas vezes às custas de horas preciosas de sono.

quando não há tempo é quando aprendemos que o acessório não interessa, o essencial é tudo!
quando não há tempo, quem depende de nós sente a nossa falta (e eu sinto a dor).

quando não há tempo temos de o perder a sorrir com aqueles que nos amam!

os verões esgotam-se

a passagem do tempo provoca em nós a certeza que caminhamos para um fim.

os verões em família nos tempos de criança desaparecem, crescemos e queremos viver, descobrir o mundo.

saímos de casa e só anos mais tarde nos apercebemos que para os mais velhos o tempo começa a esgotar.

é certo que vivemos cada vez mais, mas também é certo que a probabilidade de alguma doença de algum tipo incapacitante nos atingir é cada vez maior… de uma maneira ou de outra os verões esgotam-se.

encarar essa realidade de frente e saborear cada instante com a família é talvez uma das maneiras mais nobres de o fazer.

sinto orgulho no fim de semana que vivi com a minha família. que venham mais!

bailarico de verão e o fail army

sou da cidade do carnaval.
inerentemente sei de cor os versos da mais linda história do amor do príncipe shah-jahan pela princesa mumtaz mahal mas de nada entendo da conversa do afinal havia outra. quando me perguntam como será o amanhã eu sei dizer simplesmente: responda quem puder! já da ladainha das doce com o amanhã de manhã eu prefiro fugir a sete pés!

cresci na ignorância do fenómeno do bailarico de verão e só nos últimos anos pude viver e conviver de perto com os entendidos. são as festividades que fazem retornar a casa os filhos, os netos e os bisnetos da terra exilados nas cidades. são festas de gente genuína de um portugal profundo que vive para o campo, onde há wi-fi gratuito no café central, mas a maior parte dos clientes prefere jogar à bisca com um traçadinho na mão.

há ali um verdadeiro negócio que envolve bandas que com os seus palcos móveis montados em atrelados de camião, carregados de material de luz e som, em andaimes e gruas, levam a alegria aos mais recônditos lugares por entre ruelas onde mal passam dois carros.

como não sei bailar, nem mesmo às dez pás cinco, fico-me por apreciar os conjuntos. escuto a afinação, procuro falhas no ritmo entre o baixo e a bateria, percebo as movimentações das equipas de som e às vezes até me surpreendo com a qualidade de quem está a tocar ou a cantar.

mais ou menos os alinhamentos das bandas de variedades são sempre os mesmos: alternâncias entre pimba e o pop nacional nas primeiras 2 horas, passando para o pop estrangeiro tardiamente, homenagens a cantores populares portugueses e por fim o rock já de madrugada.

este ano porém assisti a algo que nunca tinha visto. por entre o repertório musical de um qualquer cantor popular português uma das bandas fez uma projecção de vídeos retirados do youtube do failarmy enquanto as moças em palco iam bailando e bailando…

epá deixem-se disso e fiquem-se pelo show que a malta da aldeia esperou um ano inteiro pela festa de verão para ver a banda e dar um passito de dança e juro que já vi muito boa gente a superar o par bailante do Skyscrapers dos ok go!

(para ver essas tretas de gente a cair no chão é só ligar a tv nos canais nacionais)