os verões esgotam-se

a passagem do tempo provoca em nós a certeza que caminhamos para um fim.

os verões em família nos tempos de criança desaparecem, crescemos e queremos viver, descobrir o mundo.

saímos de casa e só anos mais tarde nos apercebemos que para os mais velhos o tempo começa a esgotar.

é certo que vivemos cada vez mais, mas também é certo que a probabilidade de alguma doença de algum tipo incapacitante nos atingir é cada vez maior… de uma maneira ou de outra os verões esgotam-se.

encarar essa realidade de frente e saborear cada instante com a família é talvez uma das maneiras mais nobres de o fazer.

sinto orgulho no fim de semana que vivi com a minha família. que venham mais!

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bailarico de verão e o fail army

sou da cidade do carnaval.
inerentemente sei de cor os versos da mais linda história do amor do príncipe shah-jahan pela princesa mumtaz mahal mas de nada entendo da conversa do afinal havia outra. quando me perguntam como será o amanhã eu sei dizer simplesmente: responda quem puder! já da ladainha das doce com o amanhã de manhã eu prefiro fugir a sete pés!

cresci na ignorância do fenómeno do bailarico de verão e só nos últimos anos pude viver e conviver de perto com os entendidos. são as festividades que fazem retornar a casa os filhos, os netos e os bisnetos da terra exilados nas cidades. são festas de gente genuína de um portugal profundo que vive para o campo, onde há wi-fi gratuito no café central, mas a maior parte dos clientes prefere jogar à bisca com um traçadinho na mão.

há ali um verdadeiro negócio que envolve bandas que com os seus palcos móveis montados em atrelados de camião, carregados de material de luz e som, em andaimes e gruas, levam a alegria aos mais recônditos lugares por entre ruelas onde mal passam dois carros.

como não sei bailar, nem mesmo às dez pás cinco, fico-me por apreciar os conjuntos. escuto a afinação, procuro falhas no ritmo entre o baixo e a bateria, percebo as movimentações das equipas de som e às vezes até me surpreendo com a qualidade de quem está a tocar ou a cantar.

mais ou menos os alinhamentos das bandas de variedades são sempre os mesmos: alternâncias entre pimba e o pop nacional nas primeiras 2 horas, passando para o pop estrangeiro tardiamente, homenagens a cantores populares portugueses e por fim o rock já de madrugada.

este ano porém assisti a algo que nunca tinha visto. por entre o repertório musical de um qualquer cantor popular português uma das bandas fez uma projecção de vídeos retirados do youtube do failarmy enquanto as moças em palco iam bailando e bailando…

epá deixem-se disso e fiquem-se pelo show que a malta da aldeia esperou um ano inteiro pela festa de verão para ver a banda e dar um passito de dança e juro que já vi muito boa gente a superar o par bailante do Skyscrapers dos ok go!

(para ver essas tretas de gente a cair no chão é só ligar a tv nos canais nacionais)

do 13 de maio

na minha cabeça existe uma longa dissertação em evolução constante sobre a minha relação com a fé, deus, a humanidade e o amor/ódio para com a igreja católica. mas isso fica para um outro dia…

sobre o 13 de maio para mim apenas me interessa um facto, o amor.
o amor é paz e paz é amor… (até a malta dos 60’s e 70’s tanta vez sob efeito de psicotrópicos sabia isso!)

cada um de nós terá as suas dúvidas ou certezas se a mãe de cristo apareceu um dia sobre uma azinheira no tal descampado perto de ourém num portugal faminto, de povo descalço e analfabeto a 3 crianças que andavam pelo monte a sobreviver, porém, pensar nos milhões de pessoas que desde há 100 anos acreditam numa mensagem de paz e amor entre a humanidade é para mim milagre mais que suficiente.

o mundo precisa de amor.

foi preciso lavar a loiça umas quantas vezes…

não querendo de todo realizar publicidade digo que cá em casa usa-se fairy para lavar a loiça (e aquilo é mesmo bom a tirar gordura).

normalmente sou eu que lavo a loiça que se escapa da máquina e recentemente finalmente acabei com uma garrafa de detergente que já por cá andava há mais de um ano… isto tudo para dizer que acabou o amarelo e agora uso o verde (calhou certamente ser o que estava em promoção)!

bem mas indo ao que interessa. já há uns dias que de cada vez que lavava a loiça ficava com a sensação de que aquele cheiro do detergente me fazia lembrar alguma coisa… não sabia o que era, sentia ser algo bom mas a memória estava demasiado ofuscada.

hoje por fim fez-se luz!

é o cheiro das bolas de sabão da minha infância. é o cheiro das tardes na varanda a produzir fileiras infindáveis de bolinhas a flutuar pela rua fora!

e sorri por lembrar-me que ficava sempre com os lábios cheios de cieiro…