não gosto das estórias

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nem sequer de olhar para a palavra escrita (e seguramente que esta foi a primeira [e espero última] vez que a escrevo).

não gosto das estórias porque são uma mania inglesa de negar o latim.
não gosto das estórias porque para mim todas as histórias fazem parte da história de alguém.
gosto de contos, poemas, fábulas, composições, epopeias se for preciso, mas não consigo olhar para uma estória.

por mais simples que seja a história, por mais conto de carochinha que seja, qualquer história, é sequência de acontecimentos, é tempo que passou, é a vida de alguém.

não gosto de estórias,
mas adoro as vossas histórias com todo o seu sentido!

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há uma certa harmonia em java

da simplicidade natural dos booleanos, inerente à sua condição de “ou sim”, “ou sopas”, passando pela beleza criativa do uso das strings, de tudo se pode fazer.

e digo em java como diria noutra linguagem qualquer, porque no fundo o que as torna belas é que podem ser lidas da mesma forma seja aqui ou na índia, não há espaço para traduções confusas ou duplos sentidos.

é aquilo e nada mais.

só quando entendemos a beleza crua de um código é que podemos entender simultaneamente o que nos afasta enquanto humanos da linguagem das máquinas.

as máquinas não admitem erros, ficam loucas com um simples erro de programação, sem um ponto e vírgula ou um fechar de parêntesis rectos…

nós humanos precisamos de errar, corrigir e voltar a errar.

é a única maneira que temos de aprender e viver e é por isso que nenhuma “inteligência artificial” alguma vez irá sofrer.

prados verdes nos meus telhados…

das lembranças mais doces que tenho talvez seja a de uma composição que um dia escrevi na escola primária.

não me recordo do texto mas a ideia base foi a de uma sonho que tive num domingo enquanto andava de bicicleta pelas ruas da cidade.

em criança fascinava-me com as ervas e pequenos arbustos que crescem nos telhados. comtemplar uma planta crescer aonde não é suposto é ainda hoje um passatempo meu (a vida perdura mesmo aonde seja menos provável).

há 30 anos esse telhado era vasto, um velho armazém com 100 metros de comprimento de telhas vermelhas gastas pelo tempo, aonde um polvilhado de ervas parecia querer tomar espaço e eu imaginei como seria engraçado um pastor levar para esse lugar o seu rebanho.

hoje o telhado não mais existe, abateu com o tempo, restam as paredes do velho armazém, mas sempre que por ali ando recordo o meu sonho de criança e a composição que escrevi.

tenho alguma dificuldade em perceber isto da passagem de ano…

mas admito que seja uma embirrância minha.

já tentei festejar.

já tentei comer o raio das passas (continuo a achar que comer 12 corintias da triunfo seria uma tradição bem mais interessante).

já errei (mais do que uma vez).

já trabalhei.

já mergulhei no mar gelado de santa cruz.

já descobri sorrisos em budapeste.

já brindei ao som de tiros em luanda (dizem eles que é normal) e 1h depois passei novamente o ano em skype.

a verdade é que continuo sem conseguir perceber a necessidade de celebrar o novo ano, mas lido bem com o juntar a família e os amigos e isso já me basta para sorrir.

(há tanta coisa pela qual eu gosto do natal,

que tenho a certeza que isso se deve à minha família)

é tão fácil criticar o natal hoje em dia, o consumismo desenfreado, as luzes de natal na varanda, o pai natal a escalar as fachadas dos edifícios… aqui mesmo na minha rua uma rotunda com enfeites de natal que em vez de estrelas mais parecem a coroa da estátua da liberdade… e ainda há as mãe natal, e as renas, e o pai natal, e a coca cola…

de facto somos bombardeados por todo o lado com apelos à compra, tentados por overdoses de chocolate e só por sorte os mais gulosos não entopem as coronárias com tanto frito de natal!

tudo isto ao som da música de elevador que parece estar por todo o lado, em cada esquina, em cada hall, em cada loja, em cada casa de banho (!)…

porém se esquecer-mos tudo isso, se ignorarmos o acessório, basta um pequeno olhar no vazio e depressa se percebe que a mais pura e singela verdade sobre o natal é que no fim tudo se resume a uma simples frase:

o natal é esperança!

esperança que a vida vai melhorar,
que o inverno vai passar,
que o mundo vai sorrir,
e que o amor não vai acabar!

em dias cinzentos

recordo os que não estão.

revejo caras, expressões, sensações, sorrisos e lágrimas.

sinto dores, sinto alegrias.

há uma despedida que nunca foi feita, há um sorriso que faltou dar e uma promessa por cumprir.

a vida segue e o que fica lá atrás condiciona tudo. seguir em frente é sempre o caminho e até o aprendemos a fazer, mas em dias cinzentos podemos nos permitir a por breves instantes recordar que essas feridas estão lá, mais que não seja para perceber os caminhos que seguimos.

vou continuar.

quando não há tempo

precisamos de apelar ao físico quântico que há em cada um de nós para saber como melhor manipular as equações do nosso espaço-tempo.
precisamos de ser ginastas nos jogos olímpicos do “esticar ao máximo”, do “dê lá por onde der”, tantas vezes às custas de horas preciosas de sono.

quando não há tempo é quando aprendemos que o acessório não interessa, o essencial é tudo!
quando não há tempo, quem depende de nós sente a nossa falta (e eu sinto a dor).

quando não há tempo temos de o perder a sorrir com aqueles que nos amam!