há qualquer coisa que me cativa em setembro

não sei se são os resquícios de verão, se são as noites frescas ou o dia que anoitece cada vez mais cedo.
gosto das primeiras chuvas,
gosto dos primeiros tons castanhos que anunciam mais um outono a chegar.

lembra-me uma velha cassete da minha infância (hoje seria um podcast…) com histórias sobre o outono. não me recordo de todos as vozes, mas ainda me lembro que a voz do “outono” era a do ruy de carvalho.
certo é que me estes dias me transportam de volta ao velho quarto da minha irmã, banhado pelos últimos raios de sol e sentado nos velhos tacos de madeira encerada.
ali ficava entretido a escutar o final da dita cassete e a cantar o refrão…

O Outono vem devagar, demora um pouco a chegar. O Outono quer folhinhas, o Outono quer folhinhas p’ra se entreter…”

se a citação não for assim mesmo, anda lá por perto! afinal de contas são memórias de uma velha criança!

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sempre que o vento faz abanar uma janela

eu gosto de fechar os olhos e reclinar a cabeça.

viajo até à minha adolescência. estou deitado no meu quarto e o vento sopra abanando as portas de vidro em cada rajada mais intensa.

coloco a cassete dos nirvana com o unplugged gravado e  fico a ouvir a the man who sold the world enquanto adormeço.

(esta malta nova não sabe mas sofre de desgosto por não saber o que é aquele som arranhado de uma cassete velha!)

às vezes os semáforos funcionam como uns instantes de pausa para a mente…

vaguear.

sozinho no carro, são instantes em suspenso na minha vida. volto atrás, recordo instantes, diálogos, momentos com dor e sorrisos também.

não penso em nada… apenas recordo. esquecer nunca foi solução para nada!

fica verde e a vida volta a arrancar.