(xviii) gosto de

subir sempre pela borda do mesmo muro em “s”.

é um pequeno muro e já caí lá de cima umas quantas vezes…

mas é aquele muro da minha terra, das ruas onde cresci e das ruas onde tantas vezes sonhei!

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há qualquer coisa que me reconforta,

de cada vez que subo ao cimo de uma oliveira.

o ar é puro e o objectivo é simples… apanhar as teimosas azeitonas que não se deixam cair.

sou da cidade mas aprendi a viver na floresta. não percebo nada do campo, da agricultura, das luas para colher ou dos meses para semear… mas de subir às árvores eu percebo! 

lá do alto deito o olho ao céu, vejo o infinito e deixo a mente vaguear enquanto as mãos e braços se deixam arranjar na rama mais teimosa…

e por instantes imagino e esqueço tudo o que não interessa!

quando não há tempo

precisamos de apelar ao físico quântico que há em cada um de nós para saber como melhor manipular as equações do nosso espaço-tempo.
precisamos de ser ginastas nos jogos olímpicos do “esticar ao máximo”, do “dê lá por onde der”, tantas vezes às custas de horas preciosas de sono.

quando não há tempo é quando aprendemos que o acessório não interessa, o essencial é tudo!
quando não há tempo, quem depende de nós sente a nossa falta (e eu sinto a dor).

quando não há tempo temos de o perder a sorrir com aqueles que nos amam!

os meus dias têm sido longos

e ainda nem comentei o fim da canção para o “enorme” Charles screaming eagle of soul Bradley!

Big love to Chicago, Birmingham and Louisville…y'all brought the heat! 🔥🌹❤️ pic by @slossfest

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mais do que uma voz marcante, uma força de vontade descoberta tardiamente mas que veio a tempo de cativar uns quantos fãs.

eu era um deles, obrigado charles!

os verões esgotam-se

a passagem do tempo provoca em nós a certeza que caminhamos para um fim.

os verões em família nos tempos de criança desaparecem, crescemos e queremos viver, descobrir o mundo.

saímos de casa e só anos mais tarde nos apercebemos que para os mais velhos o tempo começa a esgotar.

é certo que vivemos cada vez mais, mas também é certo que a probabilidade de alguma doença de algum tipo incapacitante nos atingir é cada vez maior… de uma maneira ou de outra os verões esgotam-se.

encarar essa realidade de frente e saborear cada instante com a família é talvez uma das maneiras mais nobres de o fazer.

sinto orgulho no fim de semana que vivi com a minha família. que venham mais!