(iv.são_petersburgo) vou ali e venho já

Voualievenhoja

Привет, мои друзья (lê-se privet, moi druz’ya)

da russia nem tudo é amor (que o diga o jaime e a tatiana), e se a história do império é feita de sangue derramado e de povo sofrido, a que se seguiu no tempo dos sovietes é provavelmente ainda mais grotesca. mas essa é a história tal como ela aconteceu e nada a pode mudar.

já nós podemos mudar a história das imagens do street view, não esquecendo uma  velha máxima do english russia, porque “qualquer coisa de estranho acontece a todo o instante num 1/6 da superfície da terra”.

e assim sem demora, siga para a capital dos czares, a jóia do império russo, a tão “ocidental” são petersburgo.

depois da tortura monegasca, cá estamos de volta ao tradicional e aqui está a lista de sons que me acompanharam na viagem pelas ruas da imperial cidade. confesso porém que a escolha não foi nada fácil com tanto génio da música clássica como tchaikovsky, prokofiev, moussorgsky, rachmaninoff, stravinsky, khachaturian, shostakovich… isto nunca mais acabavasky!

vaevj.il.saopetersburgo

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comecei a viagem num belo dia de sol, sob um céu azulado, e ao toque suave de um vento norte os papagaios voaram ao som da valsa nº 2 do shostakovich. uma beleza!

e da baía de sorriso feito rumei ao centro.

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no que toca a ostentação, são petersburgo é bem simples, de explicar: palacete, canal, palacete, canal, parque, rio, palacete, canal, mega palácio, palacete e canal… estranha equação numa cidade que supostamente durante quase um século pertenceu ao proletariado.

foi assim que dei por mim entediado e lá saquei do meu velhinho game boy e lá prestei homenagem ao alexey pajitnov e a todas as horas de sono perdidas e pilhas aa gastas em 1990.

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decidi então dar lá uma volta no elétrico russo. ao meu lado um tipo vestido de negro e cabelos longos parecia a reencarnação do rasputin e dei por mim a cantarolar boney m (medo!). pulei na paragem seguinte e voltei a caminhar.

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enquanto desfilava ainda ao som da mescla alemã de inspiração jamaicana de eurodisco-reggae-r&b sobre um tipo sinistro da sibéria que fez susesso nas cortes de são petersbugro (isto cansa só de escrever!) encontrei umas moças bem animadas que me indicaram o caminho para uma loja de matrioskas. queria comprar uma bonecada de recuerdo mas assim que meti o pé na loja um frenético oysya, you oysya ecoava no sistema de som para gáudio do ivan que atrás do balcão batia o pé bem animado enquanto afagava os longos bigodes. sou ivan, o cossaco disse ele ou privet, ya ivan, kazak…

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o que é certo é que com tanta matrioska uma pessoa fica com a visão turva! mas o meu novo amigo ivan, fez questão de me orientar na tradição russa e insistiu para que eu aprendesse a tocar o kalinka no seu ipad americansky made in china, sinais do tempo disse ele: “se o camarada fosse vivo não havia nada destas coisas”. achei o discurso um bocado incoerente, mas afinal de contas a garrafa de vodka já ia a meio e a kalinka, kalinka, kalinka moya mais parecia um martelar de teclas… safou-me o igor que apareceu e sacou da sua guitarra!

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deixei o igor e o ivan a dar cabo da vodka e esgueirei-me para fora da loja e já meio acalentado segui caminho pelas ruas e dei por mim a apreciar o trabalho da kátia. acho que nunca vi ninguém numa tão minuciosa tarefa de deixar as persianas lavadas só até meio!

fui andando comprei uma garrafa de água num supermercado mas tive de fugir de lá a sete pés… mais kalinkadas!

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e entre lojas acabei perdido no castle rock… ouvi uma cover metaleira do mussorgsky e claro brindei com o dono da loja, o dimitri que é fã de fado ¯\_(ツ)_/¯

foi então que decidi rumar novamente aos monumentos.

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porém de caminho assisti a uma cena de suspense porque lá no alto da torre miúdos sem noção do perigo pareciam bailar. na minha mente esta cena teve como som de fundo a dança dos cavaleiros do prokofiev, mas sinceramente nem sei bem porquê!

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segui para as grandes praças e assisti ao bailado da sasha enquanto varria toda a praça do palácio ao som do khachaturian. graciosa nos passos, fora bailarina no tempo da urss, agora só lhe restara o emprego como cantoneira.

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não sei se seria da vodka manhosa do ivan mas juro que vi na catedral do sangue derramado pessoas em duplicado!

e quando tudo parecia já ser estranho…

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eis que assisti a um concerto do vitas… chandra brambra chandra chandra bendram oh oh oh oh oh oh oh

como não adorar a rússia!?

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e por fim ao som de tchaikovsky fiquei a ver a cara das pessoas a assistir ao por de sol junto do cais do hermitage.

a rússia tem tudo… arte, folclore, música e as vistas. só lhes falta mesmo a democracia e o respeito ao amor livre de opressões.

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