(ii.buenos_aires) vou ali e venho já

Voualievenhoja

depois da passagem pela route66, chega o momento de revelar a minha viagem pelo street view de buenos aires!

aviso à navegação… com tanta imagem o artigo pode demorar um pouco a carregar…

e claro! com som tem muito mais piada! siga…

a preparação para esta viagem obrigou-me a uma outra pelo youtube. buenos aires não é nada fácil. por detrás de toda a sofisticação das grandes avenidas está todo um manto pesado de sentimentos, está um povo que tem sofrido com sucessivas recessões económicas, derivas políticas com direito a ditaduras militares e ainda a absoluta paixão pelo futebol. um misto de emoções. tristezas, melancolias, alegrias e muito batuque. uma cidade que nos absorve e faz sentir na pele ao percorrer as villas, a ténue linha que separa a melancolia da felicidade.

vaevj.il.buenosaires

mas por onde começar!?

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bem no centro da gigantesca av. 9 de julio um obelisco fez-me recordar a infância em torres vedras. horas infinitas a brincar no jardim, as mini jangadas em esferovite no lago, as escondidas, os tralhos no chão de pedra e por fim a adolescência… fecho os olhos, deixo-me levar pela versão de barro tal vez, um original de luis alberto spinetta (um dos pais do rock argentino), aqui interpretado pela doce voz da cande buasso que ainda por cima sabe tocar contrabaixo (o meu favorito)…

Si no canto lo que siento
Me voy a morir por dentro

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sem saber muito bem ainda que caminho seguir olhei um pouco em volta e por todo o lado as extensas avenidas povoadas de gente. deixei-me ir…

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e pelo caminho ao som da mal bicho dos los fabulosos cadillacs, vi formigas pintadas nas paredes, e imagine-se, ajudei até a pobre coitada da belu a procurar o seu amigo mauro sérgio… porém na verdade a única coisa que encontrei foi mesmo o raio de um pikachu!

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segui caminho e deixei-me ir em busca da batucada mas afinal era só uma espécie de comício. gente animada tenho a dizer… e ainda aprendi com o santino, um dos rapazes de tambor a dar uns toques!

depois de tanta batucada mudei a faixa e deixei-me ir ao som do sólo le pido a dios do león gieco.

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vi um fantasma na gare constitución e murmurei os versos:

Sólo le pido a Dios
Que el futuro no me sea indiferente

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fui ao teatro ciego

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e comecei a procurar um tal de parque das mujeres argentinas… mas por uns tempos só avistei as ladies e fugi dali a sete pés, não me fosse aparecer pela frente alguma argentina loca a querer tomar cerveja, só para depois dançar em cima da mesa (medo!)…

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comprei uns recuerdos para a família no outlet lá do sitío

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e finalmente acabei o dia no parque das mujeres argentinas… as avenidas de buenos aires foram uma descoberta interessante mas senti que algo estava a faltar… e não era saudades de casa (essas matei-as no planetário galileo galilei, ao olhar a projecção bem centrada em portugal).

numa cidade com tantas histórias de amor e paixão, resolvi começar um novo dia em busca das provas de amor e decidi escutar a balada para un loco pela voz da amelita baltar em busca de inspiração.

Del manicomio nos aplauden: “¡viva! ¡viva! ¡viva!”
Los locos que inventaron el amor”

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e lá encontrei um sincero pedido… espero que a china lhe dê ouvidos que me pareceu que ele realmente merecia solo uma oportunidad!

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vi também o amor de uma família inteira pela sua luz que fez uns singelos 15 anos! gente sincera e divertida ofereceram-me umas empanadas e ainda dei os meus bitaites sobre a avaria na auto-caravana do vizinho nicolás.

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e por fim rumei ao caminito como todo o turista faz por aquelas bandas, mas o que é certo é que não lhe achei piada alguma com aquela bonecada toda.

mas pelo menos escutei o carlos gardel com um clássico por una cabeza

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e juro que tentei aprender com o estebán e a sua camellia uns passos de tango… será escusado falar da fama internacional dos meus dois pés!

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bailei dali para fora e segui caminho pelas ruas do caminito agora ao som do enorme astor piazzolla e seu libertango.

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e pela rota de fuga até encontrei a inspiração que motivou a escolha de buenos aires. huhuhu!

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até que por fim cheguei à boca! ali no parque lezama, recordei o que o escritor mexicano carlos fuentes disse sobre a cultura argentina:

Nosotros, los mexicanos, descendemos de los aztecas; ustedes los argentinos descienden de los barcos.

e na la boca de buenos aires esse dito faz todo o sentido! de uma mescla de culturas de emigrantes europeus, num bairro de mercadores na sua maioria genoveses, nasceu pela mão de cinco adolescentes filhos de italianos inspirados por um professor irlândes, um clube global, o boca juniors! e o melhor é que a escolha das suas cores deveu-se a uma espécie de aposta em que um antigo presidente do clube e operador de uma ponte móvel no porto, que a dada altura propôs que as cores do clube deveriam ser as da bandeira do primeiro navio a cruzar a sua ponte no dia seguinte… calhou sueco!

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falar de clubes na argentina pode-se tornar complicado tal não é a sua rivalidade, mas o que é certo é que eu próprio tenho uma raiz em génova, por isso há que respeitar a família e ali estive a contemplar la bombonera! fechei os olhos e imaginei aquele lugar como um verdadeiro ser vivo! aqueles fãs são completamente doidos e vibram como ninguém, seja levando a bombonera ao rubro naquelas bancadas quase verticais, seja em que lado for… foi por isso que resolvi ir com o simon reeve aprender mais sobre a rivalidade entre o boca e o river plate.

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mas a verdade é que num país de futebol, todos os recantos servem para jogar… e foi através desta busca que encontrei a vida nas villas de buenos aires.

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lugares plenos de vida, com as mesmas cores do caminito, mas sem os bonecos, atrações e aspecto limpinho para o turista ver…

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lugares com gente… onde escutei a mercedes sosa e a sua adaptação de los hermanos do grande atahualpa yupanqui.

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pensei nas vidas de cada um dos habitantes de cada um destes lugares.

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que apesar de todas as adversidades seguem a sua vida e demonstram sempre uma fé inabalável (provavelmente para muitos será esta a única âncora de esperança de sonhos por uma vida melhor…)

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afinal de contas estamos em “casa” do papa mas intriguei-me porém com este mural, primeiramente pensei cá para mim que “santos da casa não fazem milagres” mas depois ao observar melhor comecei a pensar…. será este um mural alusivo aos “vícios” da igreja? da soberba e luxos enquanto o povo fiel sofre? comparo o ar de desalento da figura em destaque e vejo o tipo sentado por baixo do anuncio do governo da cidade alusivo a uma vida melhor.

fecho os meus olhos e penso nos 6 anos que passei por áfrica… é sempre a mesma coisa.

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ainda assim, cenas estranhas, não faltam em lugares como este e se ao roer uma maçã um dente me doer, pelo menos tenho sempre a salvação na porta ao lado! sigo caminho ao som da la milonga perdida do yupanqui.

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procuro a tenacidade do povo uma vez mais nos murais de parede….

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que se repetem por todo o lado…

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e por fim regresso uma vez mais a este lugar antes de partir… ao fundo deste beco está um dos muitos campos de futebol de rua que vi nesta viagem, ao virar desta esquina o mais certo é estarem meia dúzia de miúdos a correr atrás de uma bola. mas eu sei que ali do outro lado estão sonhos, vidas que se podem tornar num turbilhão mas que começaram num sonho de criança em fintar os adversários e correr, correr, correr e marcar aquele golo com a mão de deus.

neste beco estão angústias, tristezas, desespero mas do outro lado pode estar a mais simples alegria, um sorriso, um abraço. no final daquele beco desconfio mesmo que possa viver a esperança e até quem sabe o arrependimento pelos erros cometidos.

despeço-me de buenos aires ao som de um emocionado jorge alvarado que deixou em lágrimas o próprio maradona com a sua versão de la mano de dios.

tchau buenos aires!

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3 thoughts on “(ii.buenos_aires) vou ali e venho já

  1. Pingback: as viagens dos outros em buenos aires | o il (perdeu o) matto

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