(i.route66) vou ali e venho já

Voualievenhoja

depois do desafio pela lucie lu é tempo de por fim mostrar o resultado do passeio pelo street view ao longo da route66.

antes de mais uma explicação sobre o conceito que surgiu da criatividade do par da palavra padrão e da lucie lu:

— Qualquer pessoa pode viajar connosco, basta entrar em contacto
para o voualiivenhoja@gmail.com para receber as instruções. Se tens interesse em fazer parte, anda daí, vamos conhecer o mundo!

— As “viagens” serão feitas através do Google maps/street view ou Google earth. A ideia é registar, através de capturas de ecrã (print screen) os cenários que mais nos encantam e surpreendem. Se são leigos nestas andanças, não tem problema! Fizemos um vídeo ultra rápido a explicar os detalhes: vê aqui.

bom explicada a coisa e depois da escolha musical, onde o ponto de partida obrigatório teria de ser sempre com o chuck berry, pois só assim poderia get my kicks on route 66, lá fui em busca de coisas interessantes e ao som ritmado por uma bateria harmoniosamente simples e por uns solos de guitarra inconfundíveis do enorme chuck!

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comecei a viagem em chicago na adams street , onde partilhei mesa de café no starbucks do outro lado da esquina com o cam, o hong e a xuan, três primos vietnamitas de férias por ali, mas coitados encalorados e sedentos de refresco. o cam bem que desapertou a camisa e a xuan não fez a coisa por menos com a sua, digamos transparência e par de rosas sugestivos, capazes de iriçar a barba ao primo hong que prometeu à tia linh cuidar dos dois primos e não deixar nenhum cowboy se aproximar da moça! uma família de respeito e tradicional…

segui caminho convicto que a jornada ia ser longa, e o illinois ainda é grande!

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mas o que é certo é que é certo é que os primos cam, hong e xuan, tinham razão o calor aperta e logo tive de recuperar fôlego na old log caban em pontiac, no meu ouvido uma cover da chicago do sufjan stevens pelas the staves, para recordar os erros cometidos no passado e as lições aprendidas. recosto-me na cadeira de pau junto do balcão, bebo um gole, fecho os olhos e sinto o fresco a percorrer o corpo vindo do velho ar condicionado da cabana, cumprimento o dono e sigo viagem, mas antes uma saída com dois toques no pé ao som da caledonia.

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um pouco mais fresco pude por fim apreciar a beleza do caminho e pela primeira vez à saída de pontiac, avistei um motard e apreciei o céu polvilhado de pequenas nuvens como pedaços de algodão a voar sobre mim.

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com tanto quilómetro achei melhor abastecer e achei que na gay parita, perto de everton, missouri podia resolver a questão, mas acontece que acabei por entrar numa pacata loja de lembranças da route 66.  fui acolhido com grande entusiasmo pelo george e pela barb, que mais do que comerciantes são de facto guardiões de histórias mil! parti com ânimo, com forças renovadas e feliz por ter encontrado este verdadeiro tesouro americano, com o lightnin’ hopkins a sempre a ecoar na velha telefonia.

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com tanto caminho percorrido e já depois de ter cantarolado com o john moreland, dei por mim perto do wildorado dos pneus em pleno texas e achei melhor fazer uma revisão aos pneus e pedi ao benitez para tratar do assunto.

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já de pneus calibrados, ao passar por adrian, resolvi colocar em altos berros o rádio pois sabia que uma importante meta estaria prestes a ser assaltada de rompante, e nada melhor que celebrar a vontade e o querer que nem um rocky balboa!

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o midpoint da route 66! e só me apeteceu gritar: yo adrian, i did it!

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em tucumcari, senti que estava na terra dos moteis abandonados e da ferrugem.

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mas a verdade é que o caminho pelo novo méxico é bem mais árido, mas tal como o otis rush, i can’t quit you baby, e desistir não é de todo uma opção, mas como tudo nesta vida em seama as coisas podem mesmo tornar-se um bocado confusas… juro que só procurava pelo posto de correios, mas não o encontrei e segui caminho rumo ao arizona.

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a caminho de flagstaff, vi ao longe o humphrey com quase 4000 metros e inspirei o ar que finalmente pareceu-me ser mais puro depois da poeirada do texas! claro que fui forçado a fazer um pequeno desvio para esticar as pernas pelos caminhos da montanha…

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as montanhas têm o dom de nos elevar até mais perto do infinito, e nesse caminho é normal que haja sempre uma pequena sensação de nostalgia, uma espécie de busca onde revisitamos no pensamento os lugares que nos marcaram no passado e que nos fizeram “crescer”, e é aí que nos apercebemos de pequenas verdades desta vida como aquela que o scrapper blackwell nos diz… ninguém nos quer quando estamos em baixo, por isso venham de lá sorrisos.

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de volta ao caminho e já em seligman fiquei a conhecer as atrações de beira de estrada e aqui disse adeus ao bob, ao ned e ao tony, entrei num bar e ouvi uma blue jam bem ao estilo do gary clark jr.

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conheci a famosa seligman sundries

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e esta cena estranha com manequins…

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estranhamente ou não um dos manequins falou-me numa visão de amor ali por perto numa terra chamada valentine… juro que a procurei, mas não encontrei!

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e de tanto procurar, achei que o meu caminho chegara ao fim. fiquei por kingman uns dias a repousar no motel route 66… tomei banhos de sol no parque de estacionamento e mergulhei na pequena piscina, fui assolado por uma sensação de nostalgia e estranha saudade de chicago e cantarolei tal como o eric clapton, inglês de gema pela sweet home chicago, recuperei forças e por fim fui até à cidade dos anjos para terminar a viagem, mas confesso que fiquei um bocado baralhado e foi então que vi o vídeo do dan e então percebi que o melhor seria mesmo ir ver o mar no santa monica pier e aí contemplar a jornada percorrida….

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sentado no pontão a contemplar o mar, ouvi uma música final, um monumento aos blues com o ben harper e o mito da harmónia mr. charlie musselwhite e fechei os olhos,  i’m in i’m out and i’m gone.

 

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5 thoughts on “(i.route66) vou ali e venho já

  1. Epah, brilhante!!! Isto sim é um viajante à maneira!!!
    E pelos vistos cruzamo-nos no caminho, também estive em seligman e kingman! 🙂
    Para escolhas musicais, tenho de dizer que fui mais previsível… andei ao som dos AC/DC!
    Excelente diário de viagem, e adorei os companheiros de aventura!

    Beijinhos,
    Daniela

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    • obrigado!
      eu sempre adorei vasculhar as coisas estranhas do maps… huhuhu
      tenho pena de não ter tido mais tempo para escrever com mais imaginação, que a vida vai agitada, ahhhh e sobretudo para procurar lugares mais estranhos (são os meus favoritos!)…
      fico a aguardar pelas vossas viagens!

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  2. Pingback: (ii.buenos_aires) vou ali e venho já | o il (perdeu o) matto

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