os melhores acordes matinais

não são aqueles que provêm do verbo acordar mas sim do saborear.

(felizmente há acordes simples que ao som de uma gibson les paul amenizam qualquer mau feitio matinal!)

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(v.cidade_do_cabo) vou ali e venho já

Voualievenhoja

no canto v estância 40, luís vaz de camões, escreveu de carne e cabelo arrepiado:

Com um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo:
Arrepiam-se as carnes e o cabelo
A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo.

cape town, cidade do cabo será território de tormentas? de esperanças? de epopeias ou sobrevivências?

terá ruas ou lugares de amor?

ainda por lá andará um gigante adamastor, amargurado por tamanha traição de amor? ou serão hoje diferentes as tormentas de quem habita ao sul?

siga!

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eu não sou do dia, eu sou feito da noite

eu nasci de madrugada às 01h47.

fui feito para aguentar o escuro, o silêncio e o passar das horas.
fui feito para sonhar acordado, combater os monstros do sono (sempre!) até ao último bocejo de sono.

as melhores recordações de mim vêm de noites não dormidas.
dos meus encontros no escuro.
de alguns sorrisos resgatados com uma simples piada.
de olhares de mistério no silêncio.
das cartas e dos textos que escrevi entregando parte de mim ao incerto.

de noite o mundo acalma, os sons são mais puros.
de noite a minha mente tem mais tempo para percorrer os caminhos de regresso e do futuro incerto.
de noite oiço as vozes do meu passado, o olhar que quase esqueci.

recordo as madrugadas no meu quarto, o cheiro a verão, o chão de tacos encerados sob os meus pés descalços, o cheiro das primeiras fornadas de pão no forno da padeiria, o som do modem de 33.6kb a desligar.

de noite, eu sou mais simples.

quebro ossos

não é preciso ser nenhum entendido para saber qual o som de um osso que quebra.

e não, não é uma bela melodia de tchaikovsky… é um “crack” que nem uma noz que se desfaz, e eu até já escutei esse som vezes sem conta, seja nos frutos secos ou nas lesões iatrogénicas durante as manobras de compressão cardíaca.

tudo começou com a coluna e um disco desfeito que só disse “olá tudo bem? esses ossos estão rijos?” quando um dos fragmentos fez cócegas a um dos nervos.

agora foi a vez de uma apófise quebrada e mal consolidada entrar em conflito com uma articulação e tudo desatar num pranto inflamatório que doí.

mas na verdade para mim o problema é que aparentemente não oiço (nem sinto) quando quebro os meus ossos. só me dou conta quando algo secundário acontece… estranho caso o meu que me faz pensar que poderei ter o crânio desfeito de tanta pancada que já lhe dei!

ossos do ofício?

 

pensamentos e sentimentos ao acaso guardados durante as férias

i.irritações

  • é impressionante a quantidade de plástico que a maré alta deixa na areia e eu perdi a conta aos pauzinhos de cotonete que apanhei. desafio todos vós a apanhar pelo menos duas mãos de plástico de cada vez que vão dar um mergulho.
  • por infelicidade das poucas vezes que vi televisão, assisti a estas palavras do sr. primeiro ministro. o sucesso foi só o maior fogo europeu de 2018. chamem-me popular mas cada vez mais sinto nojo destes políticos que nos governam. mil vezes ter honra na palavra do que ser conivente com estes seres invertebrados.

ii.quase civismo

  • mensagem destinada a todos os condutores de carros com matrícula francesa que conduzem em agosto pelas estradas de portugal:
    • bonjour chers conducteurs de plaques d’immatriculation françaises. ce message est un appel du destin à tous ceux qui mènent d’une manière douteuse (excuses sincères à tous les autres s’ils se sentent offensés).
      chaque fois que vous voulez venir au portugal en voiture, commencez par voir les vidéos de cette chaîne sur youtube. ici, les indigènes sont particulièrement reconnaissants car vous avez cette folie de stationnement pour occuper deux ou trois sièges, juste pour laisser la mercedes, l’audi ou le porcshe à l’ombre.
  • durante as férias perdi a carteira num banco de jardim. a quem a devolveu ao posto territorial da gnr o meu sincero obrigado (mesmo tendo ficado com 40 euros).

iii.felicidade

  • sou um mestre na arte das pocinhas na maré vazia e concebi uma forma infalível de irrigação com recurso a canais na areia molhada.
  • os mergulhos na água gelada!

iv.reconhecimento